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Comércio externo garante entrada de dólares no País mesmo com crise política - 08/06/2017

 

Mesmo com o estouro de uma nova crise política, a entrada de dólares no País ficou positiva em maio. Desde que surgiram as principais denúncias de executivos da JBS contra o presidente Michel Temer, o Brasil recebeu US$ 3,42 bilhões, conforme os dados mais recentes do Banco Central, divulgados ontem.

O número leva em conta o fluxo cambial registrado nas áreas financeira e comercial do dia 18 de maio até a última sexta-feira, 2 de junho. Para analistas, os números indicam que a pressão política sobre o governo Temer – que fez o dólar saltar mais de 4% ante o real no período – não provocou uma fuga de recursos, como se poderia esperar.

 

dólar
 

O resultado positivo no período, porém, foi puxado pelo comércio. Em 18 de maio, primeiro dia de reação do mercado brasileiro às denúncias, o fluxo comercial foi positivo em US$ 1,27 bilhão. Naquele dia, exportadores aproveitaram o dólar mais elevado – perto dos R$ 3,40 –, para fechar operações de venda de moeda, o que inflou o número. De 18 a 2 de junho, ainda sob a influência positiva da época de embarque da safra de grãos, o País recebeu pela área comercial US$ 4,73 bilhões líquidos.

 

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Na área financeira, US$ 1,31 bilhão líquidos saíram do País desde 18 de maio. Essa conta reúne os investimentos produtivos por parte de estrangeiros e também os aportes feitos em ativos, como ações e títulos. Inclui ainda as remessas de lucros e os pagamentos de juros. Apesar do resultado negativo, o fluxo financeiro desde o estouro da crise esteve longe de indicar uma debandada dos estrangeiros do Brasil.

“A crise é preocupante para a área financeira, mas não houve – e antes também não havia – um sinal de fuga expressiva de capitais”, avaliou o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria Integrada. “Na verdade, o movimento financeiro já tem sido predominantemente negativo ao longo dos últimos meses, mas não é desordenado. Não houve corrida após a crise.”

 

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O economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria, faz avaliação semelhante. “O fluxo financeiro já vinha sendo negativo antes da crise política”, diz. Ele chamou a atenção ainda para o fato de o dólar, apesar de ter chegado perto de R$ 3,40, acabar se acomodando em patamares menores, perto dos R$ 3,25. “A impressão é de que o mercado continua muito leniente com a situação política do País. O risco, na nossa avaliação, é muito maior do que está sendo colocado no preço pelos agentes.”

Para alguns analistas, essa “acomodação” do mercado, apesar da possibilidade de Temer deixar a presidência, tem a ver com uma sensação de que, seja quem for o presidente, já há uma convicção formada sobre a necessidade da aprovação das reformas previdenciária e trabalhista. Há também uma aposta na manutenção da equipe econômica, que é bem avaliada pelo mercado.

Uma prova disso está no Termômetro Broadcast, ferramenta que traz a avaliação de profissionais do mercado sobre a atuação do Ministério da Fazenda e do Banco Central. Em maio, apesar da nova crise política, a nota geral da Fazenda saltou quase um ponto, de 5,9 para 6,8. Já a nota do Banco Central passou de 6,9 para 7,2.


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Fluxo. Os dados consolidados de maio, divulgados ontem pelo Banco Central, mostram que o País recebeu US$ 744 milhões líquidos no mês passado inteiro. A cifra é resultado de entradas pela área comercial de US$ 5,97 bilhões e de saídas pela via financeira de US$ 5,22 bilhões.

Para Campos Neto, da Tendências, a crise política tende a dificultar uma melhora do fluxo na área financeira nos próximos meses, justamente porque o risco político é grande. “Por hora, não há perspectiva de uma entrada muito forte de recursos, diante das incertezas que cresceram nas últimas semanas. Mas uma piora exacerbada do fluxo dependeria de algum fato novo que coloque em risco a agenda econômica do governo”, acrescentou.

O Estado de São Paulo
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